Evento Cepesp e Toyota Mobility debateu benefícios de integrar dados públicos e privados de mobilidade

CEPESP  |  5 de agosto de 2020
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Na cidade de Los Angeles, quando o serviço de patinetes foi implementado, como uma oferta privada gerida pela municipalidade, a taxação estabelecida pelo serviço foi na forma de uma cobrança por unidade colocada em operação. Para descentralizar a oferta, o sistema mudou e hoje a cobrança é feita por viagem, sendo de US$ 0,70 em toda a cidade, com exceção das regiões de baixa renda, onde a viagem não é taxada.  “Usamos os dados para melhorar os resultados e fazer uma política pública melhor”, explicou Marcel Porras, do Departamento de Transporte de Los Angeles, que usou essa situação para ilustrar o uso prático do Mobility Data Service (MDS), durante o webinar organizado pelo Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getulio Vargas (FGV Cepesp) e pela Toyota Mobility Foundation, na terça-feira, dia 4 de agosto.

O MDS foi criado e desenvolvido na cidade de Los Angeles para gerir a micromobilidade local, partindo da premissa de que o compartilhamento de dados era fundamental para oferecer e planejar um serviço público melhor e inovador. Atualmente o MDS é um projeto da Open Mobility Foundation (OMF) que compreende um conjunto de APIs (Application Programming Interfaces) focado em serviços de micromobilidade compartilhados. 

A partir do alto à esquerda: Porras, Biderman, Guimarães e Chernicoff: MDS em debate

O webinar reuniu Ciro Biderman, coordenador do Cepesp, Paulo Guimarães, secretário de Mobilidade Urbana de São José dos Campos, William Chernicoff, da Toyota Mobility Foundation, Jascha Franklin-Hodge, da Open Mobility Foundation, e Marcel Porras, do Departamento de Transporte de Los Angeles, e teve como foco o uso do MDS no Brasil.

O Cepesp e a prefeitura de São José dos Campos elaboraram um novo modelo para o transporte público da cidade que tem como premissa a transparência nos dados e a inovação, explicou Guimarães. “Estamos construindo um novo modelo de mobilidade para a cidade em um momento muito especial que o mundo está vivendo, dessa crise mundial do coronavírus, e o novo sistema, de certa forma, responde um pouco a essas incertezas”, disse o secretário, ressaltando que inovação e transparência permitirão desenvolver novos serviços para a população de forma integrada.

De acordo com Biderman, o modelo desenhado pelo Cepesp e pela prefeitura local para o município de São José dos Campos quer dar um passo além no que hoje já existe de experiências com o MDS e “permitir que ele converse com todos os modais de transporte da cidade”. “Esse é o nosso caminho para chegar na mobilidade como serviço”, acrescentou. A licitação do transporte público, que está em andamento em São José dos Campos, explicou o coordenador do Cepesp, é inovadora ao separar a operação do serviço de transporte público da tecnologia de operação desse sistema e o olhar para o MDS está relacionado à ideia de que é preciso um modelo que não apenas mande informações acerca da operação, mas também receba essas informações e com isso gere dados que permitam uma melhora contínua do serviço e do seu planejamento. 

Franklin-Hodge, da OMF (embaixo, em destaque): aumento expressivo do uso de patinetes e bikes compartilhadas

Franklin-Hodge, da OMF, ponderou que além da infraestrutura física, também, a infraestrutura digital das cidades precisa ser cada vez mais um ponto de atenção dos gestores públicos. Nesse sentido, defendeu, é importante o uso de dados abertos e de um padrão comum que permita que esses dados sejam interligados. E esse é o objetivo e o princípio do MDS, explicou. “O MDS é uma linguagem que permite que cidades, empresas e instituições interajam e troquem informações sobre os sistemas de transporte”, acrescentou. E o desafio, disse, é construir sistemas geridos pelos princípios da segurança, igualdade, acessibilidade e sustentabilidade.

Ainda que o MDS tenha começado em Los Angeles, e focado na micromobilidade, já há cidades que começam, como São José dos Campos, a pensar em ampliar o alcance da ferramenta, estudando como usar veículos autoguiados, robotaxis, como incluir serviços por aplicativo, etc. Em São José dos Campos, o novo modelo de transporte público vai contar com ônibus sob demanda.

Em outro exemplo sobre o uso do MDS, Porras contou que os dados do uso do sistema de patinetes em Venice Beach, em LA, mostraram que havia um “congestionamento” destes veículos na região. Em uma área de 2 quilômetros quadrados, seis operadoras do serviço de patinete mantinham 3 mil destes veículos à disposição da população, mas o que era era pra ser um serviço para a população, acabava criando transtornos. Diante das informações disponíveis, o governo municipal reduziu para 220 o máximo de patinetes que cada empresa poderia manter na região e criou uma área para o estacionamento dos mesmos e todas as manhãs os veículos tinham que ser redistribuídos. Com isso, apesar da redução do número de patinetes em circulação, o volume diário de viagens se manteve. “Conseguimos melhorar o manejo do ir e vir da população sem impacto negativo na sua mobilidade”, ponderou Porras.

Porras e Franklin-Hodge explicaram que todo sistema de compartilhamento dos dados garante total proteção dos dados do cidadão. A prefeitura local tem acesso às informações de movimentação dos patinetes, mas nunca sobre quem é o usuário em determinada viagem, contou Porras. Na cidade, o MDS gera 4 milhões de pontos de dados ao dia. 

Mais informações sobre o funcionamento do MDS na cidade de Los Angeles podem ser acessados neste relatório da cidade.

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