Segundo turno pode se dividir entre discurso de defesa da democracia ou da ordem

CEPESP  |  25 de setembro de 2018
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Há menos de duas semanas para o primeiro turno das eleições, a disputa está tomando contornos mais claros e polarizados entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).  “Mesmo que a gente tenha um fato novo daqui até a eleição, é muito difícil que essa polarização seja rompida”, diz a cientista política do Cepesp Lara Mesquita.

Segundo Mesquita, a liderança de Bolsonaro dentre o eleitor direitista pode ser resultado da fragmentação do centro do espectro político e perda de controle que o PSDB, tradicional oponente do PT, tinha da direita.

“Houve falta de coordenação das elites políticas e isso é muito importante para enfraquecer o PSDB, que é o principal autor do centro na política brasileira recente”, diz Mesquita em entrevista ao programa Globo News Painel.

Mesmo com a polarização entre Haddad e Bolsonaro, Mesquita pontua que o histórico das últimas quatro eleições, também muito polarizadas, mostra que é esperada disputa em segundo turno. Neste segundo momento, a pesquisadora observa que o discurso dos candidatos e partidos vai se fortalecer entre a “defesa da democracia versus a defesa da ordem”. “E todos os candidatos vão ter que se posicionar em relação a isso”.

Ela lembra que desde a implementação da Constituição Federal de 1988, não há na disputa eleitoral um candidato com discurso de militarização que é visto hoje com o presidenciável do PSL. “O papel desta direita era dizer ‘podemos jogar o jogo democrático”.

No processo eleitoral deste ano, no entanto, a direita vocalizada por Bolsonaro assume outro discurso: “a qualquer hora a gente pode tirar da cartola a manga militar e virar o jogo da democracia”.

Programa na íntegra aqui.

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