Focalização ou diálogo? Uma análise quantitativa dos discursos dos senadores brasileiros

Autor: Maurício Yoshida Izumi

Resumo:

De acordo com Mayhew (1974), políticos estão interessados em se reeleger. Com
vistas a alcançar esse objetivo eles devotam diversos esforços em algumas atividades
básicas. A tomada de posição (position taking) em temas relevantes é uma delas2.
Existem várias formas de se fazer isso. Por exemplo, ela pode ser feita por meio de
votações nominais (POOLE E ROSENTHAL, 2007) e pela assinatura de projetos
(ALEMÁN ET AL., 2009). Mas, como o que interessa é o posicionamento em relação a
um determinado tema e não a formulação ou a mudança de alguma política pública,
outra maneira de se tomar posições é por meio de discursos.

Assim, a questão que surge a partir deste ponto é qual a estratégia que políticos
devem adotar em seus discursos? Eles devem focalizar os seus esforços em assuntos
específicos – isto é, discursos que se limitam a certos tópicos e que em geral ocorrem
de maneira unilateral e auto afirmativa – (PETROCIK, 1996; SIMON, 2002) ou devem
interagir com os seus adversários, gerando diálogo e disputas diretas em torno de
determinados pontos da pauta política (ANSOLABEHERE E IYENGAR, 1994)? Para
responder a essas questões utilizarei técnicas de análise quantitativa de textos e um
banco de dados inédito com a indexação de mais de 64 mil discursos dos senadores
brasileiros realizados entre fevereiro de 1987 e dezembro de 2010. Os resultados
apontam para a hipótese do diálogo. Em geral, os partidos políticos brasileiros não
possuem nichos temáticos específicos. Senadores de diferentes partidos convergem os
seus discursos no que diz respeito ao tema. Se um senador do governo discursar sobre
um tema A, é muito provável que um senador da oposição também faça um discurso
sobre o mesmo tema A.

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