Descrença política do eleitor faz partidos se posicionarem simbolicamente contra MDB e Centrão

CEPESP  |  5 de setembro de 2018
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O cenário político degradado pelas denúncias de corrupção repercute nas candidaturas à presidência do país nas eleições deste ano. Essa desmoralização leva os candidatos a se oporem publicamente à imagem simbólica do MDB e dos partidos do Centrão.

“Digo contra o símbolo, porque, apesar de tudo, esse é um grupo de partidos que tem voto popular. E mesmo o Jair Bolsonaro (PSL), que tenta se posicionar contra todo esse grupo, tentou fazer aliança com o Centrão”, explicou o pesquisador do Cepesp, Cláudio Couto.

Segundo ele, esse é o “jogo” que permite a governabilidade: “Ser identificado como avesso de (Michel) Temer pode pegar muito bem nessa hora. Mas qualquer que seja o próximo presidente, ele vai ter que governar com essa maioria do Congresso que é composta pelo MDB e por partidos do Centrão”.

Novas denúncias contra o presidente Temer, no entanto, não afetam de forma significativa a percepção dos eleitores sobre o governo atual. Primeiro, porque o cenário já é de desesperança, então o eleitor acaba não se impressionando mais. “Uma denúncia a mais ou uma denúncia a menos tem um efeito praticamente nulo sobre aquilo que já aconteceu. É chover no molhado”, afirmou Couto.

O fato de o MDB não ter uma marca partidária forte também ameniza o efeito das denúncias nos candidatos do partido aos governos estaduais. “Os candidatos não são claramente identificados com o presidente simplesmente pelo fato de que pertencem ao seu partido. A identificação do partido não faz produzir bônus ou ônus nos outros membros da sigla”, concluiu.

Em entrevista para a rádio CBN, Couto comentou ainda sobre os posicionamentos dos candidatos e analisou seus programas de governo.

“Acho que alguns apresentam propostas mais críveis, com mais consistência entre elas e o que o candidato e seu partido seguiram ao longo de suas trajetórias. Já outras, se pode desconfiar um pouco mais: não combinam muito com aquilo que os candidatos fizeram ao longo da vida ou mesmo com o que disseram há pouco tempo”.

 

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