Justiça Eleitoral não estava preparada para lidar com fake news e discursos de ódio

CEPESP  |  6 de novembro de 2018
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fake news

A forte polarização político-ideológica marcou a corrida eleitoral de 2018, principalmente entre os candidatos à presidência do país, o eleito Jair Bolsonaro (PSL), e Fernando Haddad (PT).

O combustível para a acentuada divergência entre eleitores foi a novidade do uso intensivo das redes sociais – WhatsApp, Facebook e Twitter – como ferramenta de propaganda política. Mas, apesar do maior acesso à informação, a falta de comprovação das informações compartilhadas prejudica o debate político, de acordo com a pesquisadora do Cepesp, Jaqueline Zulini.

“O eleitor foi bombardeado por todo tipo de conteúdo e acabou sem parâmetro do que é real e do que é ficcional, editado, parcial. Isso levou ao arrefecimento da intolerância, já que acabamos assistindo a uma guerra de conteúdo”, disse Zulini em entrevista ao blog Universa, do UOL.

A novidade também surpreendeu a Justiça Eleitoral que, segundo a pesquisadora, não estava preparada para tomar providências sobre a proliferação de notícias falsas. Para ela, a corrida eleitoral de 2018 se tornará referência para a formulação de novo protocolo de fiscalização das campanhas eleitorais.

“A Justiça Eleitoral está diante do desafio de regular o targenting político e as fake news. São questões globais que estão preocupando as cortes e, por isso mesmo, também devem pautar o planejamento da Justiça Eleitoral”, reflete Zulini.

O cenário favoreceu o surgimento de casos de intolerância entre os eleitores de Bolsonaro e Haddad, desde discussões acaloradas nas redes sociais, até situações extremas como discursos de ódio incitando violência e relatos de agressão.

O problema também é um fenômeno mundial, destaca Zulini, que acredita que as Cortes precisam se adaptar em razão da dificuldade para separar liberdade de expressão de “discursos inaceitáveis”, sem praticar censura prévia.

“Não é só a Justiça Eleitoral no Brasil que está com dificuldade de encarar esse problema, que é uma linha tênue. Há um consenso sobre o perigo de se partir para a censura prévia e, assim, se comprometer o ideal democrático”, conclui.

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