Quais os desafios de Bolsonaro no Congresso?

CEPESP  |  16 de novembro de 2018
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Apesar de chegar à presidência do país com grande apoio do eleitorado, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) vai enfrentar obstáculos no Congresso Nacional para consolidar sua governabilidade. Conciliar demandas contraditórias entre os grupos político, econômico e social que o apoiaram será um desses desafios, de acordo com o o professor da Fundação Getúlio Vargas, Cláudio Couto, pesquisador do Cepesp/FGV.

“Como ele vai garantir o valor mínimo do frete aos caminhoneiros e articular isso com a turma do agronegócio? Ou como vai zerar o déficit em um ano, como prometeu, e manter o subsídio ao diesel dos mesmos caminhoneiros?”, questiona Couto, exemplificando um dos conflitos de interesse que o presidente eleito terá que lidar no próximo ano.

Para isso, o pesquisador do Cepesp/FGV observa que Bolsonaro vai ter que mostrar ter habilidade para lidar com o Congresso, característica diferente de como age como deputado. “Ele esteve longe de ser um parlamentar importante do ponto de vista da relação com os seus pares. Será que, como presidente, vai ser competente para lidar com os deputados?”, pondera Couto em entrevista ao Valor Econômico.

Bolsonaro vem declarando constantemente que não vai fazer negociações partidárias, mas sim procurar apoio entre as bancadas temáticas na Câmara dos Deputados, a ruralista, a evangélica e a da bala (segurança pública), negando o tradicional presidencialismo de coalizão partidária. A estratégia, de acordo com Couto, é outro ponto encarado como de risco para as relações de Bolsonaro no Congresso.

“No Congresso, as negociações são feitas com os líderes dos partidos, que nem sempre são os líderes das bancadas. Sem essa relação com os líderes, é difícil haver uma coesão nas votações. Negociar com partido não é uma questão de gosto. É de possibilidade”, salienta Couto.

Na mesma matéria, Lara Mesquita, também cientista política do Cepesp/FGV, vê no PT o partido mais estruturado para conduzir oposição ao governo Bolsonaro. “O PT elegeu o maior número de governadores e uma bancada expressiva no Congresso, a despeito do que todo mundo imaginava há dois anos”, afirma Lara em referência ao impeachment que a presidente petista Dilma Roussef sofreu em 2016.

Mas Lara considera que, apesar de o partido se sair melhor nas urnas do que o esperado, “não tem liderança clara para essa tarefa”.

Confira a matéria na íntegra no site do Valor Econômico.

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