Pesquisador do Cepesp/FGV ganha prêmio de melhor poster na IPSA-USP Summer School

CEPESP  |  15 de fevereiro de 2019
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O pesquisador do Cepesp/FGV, Leonardo Bueno, ganhou o prêmio de melhor poster na IPSA-USP Summer School 2019. O poster apresenta sua pesquisa, que analisa os efeitos da política do bilhete único nas eleições em São Paulo.

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O pesquisador do Cepesp/FGV, Leonardo Bueno.

O IPSA-USP Summer School é um programa de treinamento de pesquisadores realizado pela International Political Science Association (IPSA) e o Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (DCP-USP). É organizado pelos pesquisadores do Cepesp/FGV, Lorena Barberia e Jonathan Philips.

O poster apresenta as motivações, métodos, perguntas, hipóteses, resultados e a conclusão da pesquisa realizada por Bueno. Pode ser acessado aqui.

Abaixo, segue um resumo da pesquisa, escrito por Leonardo Bueno:

Uma das principais questões para quem estuda sistemas democráticos é justamente saber se esses sistemas funcionam adequadamente.

Ou seja, seriam as democracias capazes de produzir políticas públicas que melhorem o bem-estar dos seus cidadãos? Para que isso ocorra é necessário que os mecanismos de votação também funcionem bem. Considerando que em uma democracia o trabalho dos governantes é chancelado pelos eleitores através do voto, as políticas que são de preferência dos eleitores, aquelas que melhoram o bem-estar, deveriam ser, em teoria, privilegiadas.

Os eleitores deveriam recompensar os políticos que produzem tais políticas. A forma de recompensa é o voto retrospectivo, quando eleitores aprovam as medidas tomadas e demonstram isso votando no candidato que as implementou. É no fundo um sistema de prestação de contas.  Entretanto, nem sempre os mecanismos do voto funcionam bem, existem evidências na literatura que apontam diversos vieses nas decisões dos eleitores, o que comprometeria o voto retrospectivo e o sistema de accountability democrático.

O trabalho apresentado na IPSA Summer School busca investigar se o voto retrospectivo está produzindo recompensa eleitoral em um contexto de eleições municipais brasileiras. O caso estudado foi o Bilhete Único paulistano, o primeiro cartão de transporte integrado digital do Brasil.

O Bilhete Único foi uma política que permitiu aos paulistanos usuários de transporte público tomar mais de dois ônibus pelo preço de apenas uma tarifa. Essa política foi importante para integrar o sistema de transporte público da cidade de São Paulo e, ao mesmo tempo, foi uma fonte de economia para muitas famílias.

As pessoas que moravam nas regiões periféricas do município foram as que tiveram um maior ganho de bem-estar, porque eram também as que ganharam maior economia nas passagens. A pergunta que o trabalho busca responder é se esses beneficiários recompensaram o governo Marta Suplicy, que implementou o programa, nas eleições subsequentes de 2004 e 2008 (a política foi feita durante o ano de 2004).

Os resultados mostram que em 2004 as regiões mais beneficiadas pelo programa foram as que mais votaram na candidata à reeleição.  Vários modelos estatísticos foram testados e os resultados são robustos. O voto retrospectivo parece ter funcionado bem para 2004, mas isso era esperado. O que não era tão esperado era esse resultado persistir (mesmo em menor grau) para as eleições de 2008.

Parte da literatura acredita que os eleitores são “míopes”, ou seja, só ligam para políticas públicas que estão temporalmente próximas às eleições, não sendo capazes de avaliar os quatro anos de governos e em muitos casos esquecem das políticas depois de algum tempo. Por isso, é surpreendente que os efeitos do Bilhete Único perdurem por mais alguns anos, até as eleições seguintes, quando Marta concorreu novamente. Sinal de que nesse contexto local o mecanismo do voto retrospectivo esteja funcionando bem. Boa notícia para a accountability democrática.

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