Com mapas por local de votação, CepespData agrega geolocalização à análise eleitoral, apontam pesquisadores

CEPESP  |  27 de agosto de 2020
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Nas eleições municipais de 2016 para prefeito de Goiânia, capital de Goiás, o PMDB teve 36,5% dos votos e o PSB, segundo colocado, 28,7% dos votos no primeiro turno. Mas como esses votos se dividiram geograficamente? O PMDB ganhou em toda a cidade ou ocorreu uma divisão regional dos votos? No quarto webinar da série Cepesp nas Eleições, realizado na terça-feira, dia 25 de agosto, os pesquisadores do Cepesp apresentaram as novas funcionalidades do CepespData, com foco nas eleições municipais. E a principal novidade _ a geolocalização dos locais de votação _ mostra que aquela foi uma eleição muito polarizada geograficamente, como mostra a imagem abaixo.

Mapa colorido com texto preto sobre fundo branco

Descrição gerada automaticamente

“Um mapa nos mostra coisas que uma tabela não mostra. Eu nunca fui à Goiânia, mas percebo um conflito político entre PMDB e PSB que é geográfico”, observou Jonathan Phillips, professor do Departamento de Ciência Política da USP  e pesquisador do Cepesp, acrescentando que o tamanho de cada círculo representa o número absoluto de votos para aquele partido e a cor representa o partido e sua intensidade reflete o percentual de votos daquele partido naquele local de votação (quanto mais escuro, maior a porcentagem de votos).

O webinar reuniu, além de Phillips, George Avelino, professor da FGV EAESP e coordenador do Cepesp, e Lara Mesquita, cientista política e pesquisadora do Cepesp. Avelino explicou que a nova funcionalidade do Cepespdata, de apresentação dos votos por local a nível municipal, é uma ferramenta que se insere nos princípios que norteiam o trabalho do centro, que é de dar transparência aos dados eleitorais, trabalhar com rigor na organização destas informações e a inclusão. “Nosso compromisso é tornar os dados eleitorais o mais acessível possível para o grande público. É parte da cidadania entender como funciona a democracia, como funcionam as eleições, o que acontece depois que você foi lá votar. Enfim, é preciso simplificar a política”, disse o coordenador do Cepesp. 

Avelino, Mesquita e Phillips: eleições municipais são muito importantes para o eleitor

Avelino observou que normalmente as pessoas não dão muita importância para as eleições municipais, mas para o eleitor médio brasileiro, o prefeito é tremendamente importante, e isso se manifesta na taxa de abstenção, que é bem menor nas eleições municipais, especialmente das cidades menores,  do que a taxa das eleições presidenciais. Em todos os municípios, a taxa de abstenção nas eleições para prefeito ficou em torno de  12% a 14% entre 2000 e 2016, sendo um pouco maior nos municípios de 200 mil ou mais (que tem segundo turno), e foi bem maior (chegando a mais de 20%) nas últimas eleições presidenciais.  Além dos dados de abstenção, a sessão de indicadores eleitorais do CepespData possui  dados de renovação parlamentar, fragmentação partidária, e volatilidade eleitoral, entre outros.

O coordenador de Cepesp lembrou que o prefeito está encarregado de implementar boa parte das políticas públicas relevantes, como saúde, educação, transporte, saneamento, pavimentação, entre outras. Além da menor abstenção e da relevância para as políticas públicas,  Avelino listou mais três  elementos que tornam as eleições municipais muito importantes: o município é o início da carreira política (foram quase 500 mil candidatos a prefeito e vereador em 2016),  é a porta de entrada para o emprego público, e as eleições locais têm consequências sobre  as eleições gerais. “É ali que se dá a formação das bases que vão catapultar as candidaturas à deputado”, ponderou. E 2020, acrescentou, é uma eleição muito específica. Além da pandemia é a primeira onde vão vigorar regras novas como o fim das coligações eleitorais para o Legislativo.

Lara Mesquita apresentou vários exemplos de pesquisas de resultados eleitorais que podem ser feitas pela plataforma do CepespData, e reforçou a informação de que é possível pesquisar, em uma única consulta, os resultados de todos os anos, uma possibilidade que não existe na base do TSE, onde é necessário fazer a consulta ano a ano, com a dificuldade de que a estrutura dos dados pode variar de ano a ano.  Entre os exemplos apresentados por Mesquita, a consulta mostrou que em 2016, 660 mulheres pretas e pardas concorreram às eleições para o cargo de prefeito em todo o país, das quais 179 se elegeram. Outro exemplo mostrou a variação de votos do PSL para prefeito em todo o país nas últimas cinco eleições. Foram 328 mil votos no primeiro turno de 2000 e 500 mil em 2016.

Jonathan Phillips contou que a equipe do CepespData desenvolveu ferramentas novas para a geolocalização dos locais de votação e cruzou com dados de buscadores, como google (em breve, confira todos os detalhes dessa metodologia no site do CepespData). “A ideia é que vamos entender muito mais a política quando entendermos esse padrão espacial, identificando onde o prefeito tem seu reduto e como os partidos coordenam as eleições dos vereadores nos territórios”, ponderou.  A plataforma, já disponível no Cepespdata, ainda está em versão beta e por enquanto está disponível para as capitais e municípios de São Paulo. Os pesquisadores disseram aos participantes que sugestões para aprimorar o trabalho são muito bem-vindas.

Além dos mapas de Goiânia, Phillips também apresentou os mapas de São Paulo e mostrou como existe uma diferença entre os votos para prefeito (muito concentrados) e para vereadores (muito fragmentados). Ele também explicou que além do voto por local de votação total (mostrando qual o partido mais votado em cada local), é possível gerar mapas por partido, identificando a votação espacial de uma agremiação em particular.  Para São Paulo, em 2016, por exemplo, os mapas mostram que o PSDB e o PT tiveram votos espalhados em toda a cidade, enquanto o PMDB teve uma votação mais concentrada na periferia.

Para acessar os mapas por local de votação: 1) Vá ao site do CespesData: www.cepespdata.io; 2) Clique em Mapas Eleitorais (no local indicado pela seta vermelha); 3) Clique em Mapas por Local de Votação (segunda seta vermelha)

Você pode assistir a íntegra do webinar nesse link.

O próximo e último evento da série de cinco webinars da série Cepesp nas Eleições será sobre habitação, no dia 8 de setembro, às 17 horas, no canal da FGV no youtube (inscrições aqui). Você encontra posts sobre os outros três seminários neste blog.

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