Série “Cepesp nas Eleições” debateu políticas públicas e dinâmica do voto nas cidades

CEPESP  |  18 de setembro de 2020
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Além de reforçar a imensa desigualdade sócio-econômica do Brasil, a pandemia da Covid-19 reforçou a fragilidade das políticas públicas urbanas. Moradias precárias, transporte público inseguro e insuficiente, territórios sem água e oferta inadequada de saúde nas regiões mais periféricas, entre outros pontos, apareceram no debate nacional nos meses mais agudos do enfrentamento da pandemia. Mas estarão presentes nas eleições? Vão fazer diferença na hora do eleitor escolher que nome vai colocar na urna? O que guia o voto?

Em cinco webinars entre os meses de agosto e o começo de setembro, a série Cepesp nas Eleições debateu o pleito municipal deste ano, a influência das novas regras e o efeito que a pandemia pode ter nas escolhas do cidadão. Para George Avelino, coordenador do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getulio Vargas (Cepesp FGV), “a saúde pode vir a ser um tema relevante nas eleições municipais”, até porque a pandemia da Covid ainda pode estar fazendo vítimas durante o período de campanha eleitoral, mas ele teme que esse protagonismo seja restrito “ao calor da hora”. “Meu temor é pela continuidade. O país é desigual, e podemos concordar em gastar mais em saúde. Mas esse gasto vai chegar lá na ponta, em quem realmente precisa?”, questionou, durante o primeiro debate, dia 4 de agosto, cujo foco foi a saúde e reuniu os professores da FGV EAESP e pesquisadores do Cepesp, Elize Massard da Fonseca e Rudi Rocha. (este webinar pode ser acessado aqui).

No segundo debate da série, dia 11 de agosto, cujo tema principal era mobilidade urbana, uma ideia “utópica” foi defendida: transformar o atual vale-transporte em um modelo que seja uma espécie de “SUS da mobilidade urbana”. O debate reuniu Clarisse Cunha Linke, diretora executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (IPTD), Ciro Biderman, coordenador do Cepesp e professor da FGV EAESP, e Hannah Arcuschin Machado, coordenadora de urbanismo e mobilidade da Vital Strategies. (Você pode assistir a íntegra deste debate aqui). Biderman, coordenador do Cepesp,  defendeu que o vale-transporte universal poderia ser sustentado com a implementação de uma taxa de congestionamento, que teria o custo de no máximo uma tarifa de ônibus e que seria paga pelos donos de carros em seus deslocamentos de ida e volta do trabalho. Ele mesmo classificou a proposta como utópica, mas ponderou que “o cenário da pandemia abre espaço para propostas inovadoras e mais ousadas politicamente”.

O terceiro e o quarto debates foram focados na análise das eleições. Uma pergunta recorrente em períodos eleitorais é se o segundo turno é uma nova eleição. E ela levou os pesquisadores do Cepesp, Jairo Pimentel, Guilherme Russo e George Avelino a investigar o tema e desenvolver  um modelo que possa predizer, com base no primeiro turno, o que é mais provável de ocorrer no segundo turno. O modelo desenvolvido e o debate sobre o significado desta segunda etapa de uma eleição, mecanismo que existe em cerca de 50 países, foi a base do terceiro seminário online da série Cepesp nas Eleições, dia 18 de agosto, que pode ser acessado neste link, e que teve a mediação de Lorena Barberia, professora do Departamento de Ciência Política da USP e pesquisadora do Cepesp.

No quarto webinar da série Cepesp nas Eleições, realizado dia 25 de agosto, os pesquisadores do Cepesp apresentaram as novas funcionalidades do CepespData, com foco nas eleições municipais, e a principal novidade foi a ferramenta que permite a geolocalização dos votos por local de votação. Já estão disponíveis mapas de todas as capitais e das cidades paulistas. O webinar reuniu Jonathan Phillips, professor do Departamento de Ciência Política da USP  e pesquisador do Cepesp George Avelino e Lara Mesquita, cientista política e pesquisadora do Cepesp. Avelino explicou que a nova funcionalidade do Cepespdata, de apresentação dos votos por local a nível municipal, é uma ferramenta que se insere nos princípios que norteiam o trabalho do centro, que é de dar transparência aos dados eleitorais, trabalhar com rigor na organização destas informações e a inclusão. “Nosso compromisso é tornar os dados eleitorais o mais acessível possível para o grande público. É parte da cidadania entender como funciona a democracia, como funcionam as eleições, o que acontece depois que você foi lá votar. Enfim, é preciso simplificar a política”, disse o coordenador do Cepesp. (A íntegra do webinar está neste link)

A pandemia da Covid-19 escancarou  o quanto as cidades brasileiras são desiguais, mas mesmo assim a problemática habitacional deve ter espaço reduzido na agenda política das próximas eleições a nível municipal, segundo o cenário traçado pelos pesquisadores que participaram no último webinar da série Cepesp nas eleições, dia 8 de setembro, que reuniu Claudia Acosta, pesquisadora do Cepesp, e Natália Bueno, da Universidade de Emory e pesquisadora-associada do Cepesp, com mediação do urbanista Carlos Leite, professor na FAU-Mackenzie, Univove e Insper. Este debate está disponível aqui.

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